Tablet

Comprei um tablet. 7 polegadas de tela sensível.

Com essa aquisição, espero aproveitar melhor minhas quase três horas diárias de ônibus, desenhando de forma mais prática que o tradicional "papel - escaner - pintura no paint".

foto da criança

Bom, é possível (segundo sugere o mercado do google android) quase todo tipo de aplicação dos computadores pessoais, sobretudo os móveis. GPS, arquivos, planilhas, localizar outras pessoas com dispositivos rastreáveis, joguinhos, ler e-livros.

Mas o que é curioso ressaltar são os detalhes da aquisição do produto. Em primeiro lugar, uma autêntica compra pela internet. Só vi o produto pela tela de outro computador, não conversei com nenhum vendedor, não testei, não peguei. Paguei antecipadamente com cartão de crédito, a um preço ridículo: menos de 100 dólares, sem custos de correio. É isso, um computador por menos de 200 pratas reais.

Essa descrição da operação deve bastar para convencer qualquer um de que fui cruelmente engrupido por um site de criminosos. Mas nossas compras cada vez mais serão assim. Curioso.

O bicho tá vindo de Hong-Kong, o site é o DealExtreme, a maior loja de 1,99 da internet no mundo. As únicas precauções que tomei foram a recomendação de um amigo (compre bugigangas no dealextreme), e um conhecido que me mostrou o tablet dele, adquirido de maneira semelhante. Nada dos conselhos da televisão (visite várias lojas, faça pesquisa de preço, peça pra ver, peça pra testar).

O fabricante? TFT. Quem diabos já ouviu falar neles? E o que importa? O hardware é igualzinho para todo aparelho, fabricado pela mesma meia dúzia de industriais chinos. Interessa a plataforma de software, google android, e aí, a coisa fica em casa.

Mudanças de hábito de consumo.

Bom, a questão ética é ainda mais perturbadora. Ou deveria. Comprar tão barato do estrangeiro certamente derruba o fabricante nacional, o trabalhador pátreo. Mas existe a relativização, bendita mão alva com unhas sujas pra nos absolver e lembrar que a culpa também é das políticas governamentais de reserva de mercado, que nos jogou 50 anos de atraso no mercado de informática, que a culpa também é do fabricante nacional, que não quer investir para competir com o estrangeiro. E como brasileiro, saberei resolver o dilema ético de forma tranquila.

Se fosse católico, rezaria alguns pais nossos. Se fosse espírita, talvez doasse idêntica quantia a uma instituição. Minha influência protestante sugere outra engenhosidade: "usar para o bem".

Sim, vou adotar esta última, e como prêmio pela minha moralidade superior, poderei usar para o meu próprio bem também.