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   Epílogo - 9 textos sobre o mundo

Às vezes nos demoramos para concluir nossos projetos, e o resultado é uma visão mais clara do seu contexto.

Enquanto eu me demorava em concluir nossa série sobre reformar o mundo, encontrei o link abaixo, de autoria de Jean-Pierre Lehmann, professor e pesquisador sênior, que se soma à minha voz, engrossando o coro dos que refletem sobre os caminhos que estamos tomando.

 

http://www.valor.com.br/opiniao/2556314/o-planeta-que-queremos?utm_source=newsletter_manha&utm_medium=06032012&utm_term=o+planeta+que+queremos&utm_campaign=informativo&NewsNid=2546424

 

Foi a fagulha que bastou para me incentivar a finalizar a série.

Mas basicamente, examinemos o que é possível fazer para salvar o mundo. Sejamos muito realistas (embora ser realista seja viver à beira do desespero), e adicionemos um pouco de utopia, para direcionar nossos esforços corretamente. Façamos a coisa em forma de lista. Embora toda lista deste tipo seja incompleta, ganhamos com o benefício da organização.

1 - Queremos um mundo menos consumista. Mas não queremos ser menos consumistas. Queremos que o outro seja menos consumista. Reeducar-nos é tarefa dificílima. Mais fácil será então educarmos as próximas gerações, exibindo todos os efeitos abjetos do desperdício, e assumindo os erros de nossa geração.

Existe porém uma consequencia: diminuir o consumismo pode conduzir-nos a uma perda no dinamismo do mercado, ceifando empregos de produção de bens de consumo. Para minimizar isto, é necessário deslocar parte desta mão de obra para outros mercados. Mas quais?

2 - Queremos um mundo mais verde. Isto responde em parte à questão "quais mercados?". Mas o nascimento de um mercado verde só se dará com o nascimento - ou a ressurreição - da cultura verde. Deixemos isto em aberto, por hora.

3 - Queremos um mundo socialmente responsável. Mais uma vez, respondemos à questão "quais mercados". Para redução das desigualdades e promoção da justiça, é necessário um engajamento social profundo por parte de todos, o que criará postos de trabalho. A propósito desta discussão, para exemplificarmos o grau de reforma a que estamos nos referindo, destinar 1% do lucro para entidades sociais não é ser socialmente responsável. É institucionalizar a esmola.

Quando toda a sociedade cobrar uma postura mais autêntica de todos os seus atores, veremos mudanças. E isto só acontecerá criando-se a cultura da responsabilidade social.

4 - A educação pode criar estas culturas, de preservação ambiental e responsabilidade social. Mas precisa ser prioridade de governo e não apenas trampolim de campanha (será uma novidade?).

Como agente complementar de criação de valores (responsabilidade social e preservação ambiental), a religião deve ser valorizada, ganhando mais espaço. A religião autêntica tem o potencial de transformar em paixão e decisões as considerações que a razão endossa, mas por serem sacrificiais demais para serem postas em prática, são proteladas. Uma discussão habitual e mais aprofundada da religião deve contribuir também para a redução das "religiões de oportunidade", as que vem ao encontro da filosofia do poder dominante temporal. Deverá também solidificar os valores de pacifismo e amor ao próximo, o que pode gerar uma desejada aversão à indústria de armamentos.

5 - É necessário abrirmos mão da noção de "crescimento sustentável", da forma como ele é entendido hoje, pois como se sabe, não é possível crescer o consumo de um determinado elemento natural para sempre. Mas é possível crescer o consumo em direções não imaginadas antes. Com a valorização da educação, crescerá a demanda por produtos ligados às artes e à cultura.

 

É necessário reconhecer que esta é uma reforma modesta. Já li muito sobre o fim do capitalismo, a vileza da divisão da humanidade em nações, hinos de amor ao anarquismo. Nada chega a convencer por completo, pois há um componente de maldade intrinseco à experiência humana, e é necessário conviver com ele, coisa que estes remédios parecem esquecer de tratar. Pois a maldade pode ser contida, desincentivada, diminuída, mas não desaparecerá. "O outro" sempre será um mistério e uma ameaça para nós, e sempre nos precaveremos dele com acúmulo, separação, organização do poder.

Mas é necessário começar por algum lugar.

Vamos começar?



Escrito por wassergomes às 12h23
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   Os politicamente corretos - interludio 2

Encaminhamo-nos para "el gran finale" dos textos sobre a solução para o mundo. Enquanto isso, reflitamos sobre a bem-aventurança de sermos politicamente corretos.

Os politicamente corretos
No princípio os fumantes fumavam ao nosso lado nos escritórios. Era incômodo, então os tiramos dos prédios.
Mas vimos que não era bom, então os confinamos a fumódromos.
Vimos que ainda não era bom, então eliminamos os fumódromos, e agora eles fumam lá na rua, fora da fábrica.
Não os vimos mais, então vimos que tudo que fizemos era bom.
Mas o ato criativo deve continuar, então sugiro que os expulsemos da cidade.
Assim poderemos fabricar armas e bombas de forma politicamente correta.
Deus há de sondar nossos corações e ver a pureza de nossas intenções.



Escrito por wassergomes às 07h25
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