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   Da série de 9 textos - O q está errado (6)

Há atualmente a meu ver pensadores sérios, gastando tinta demais com o capitalismo. Não que não tenham razão em parte do que dizem.

Sim, estes são tempos difíceis. O neoliberalismo afrouxou as últimas amarras sistêmicas, permitindo acúmulo sem limites. Não é prosperidade; é só acúmulo.

Em razão disso, nunca houve no mundo tantos bilionários, e nunca houve também tantos miseráveis.

Da janela de nossos apartamentos pagos em carnês de vinte anos, nós operários do próspero industrialismo joseense não temos condições de avaliar o desespero de cidades inteiras oprimidas pelo único gerador alternativo de riquezas, as drogas.

Achamos que nossa prosperidade que consiste de uma casa na praia, um apartamento na cidade e um carro seminovo vêm como decorrência de nossa competência e árduo esforço diário apenas.

É claro que tudo isso é pressuposto para a aquisição destes bens, mas estamos distantes demais daquelas mães que devem trabalhar e praticamente abandonar seus pequenos aos cuidados da comunidade, ignorada pelo poder público e refém da bandidagem para que possamos afirmar ao certo que o ingresso na criminalidade se resume a uma questão de caráter.

Sim; é a possibilidade do acúmulo que agrava o quadro social já desesperador. Por que o acúmulo tira recursos das comunidades, do poder público, das famílias e cria o ambiente favorável às distorções, à perda da esperança, da dignidade.

As pessoas que acumulam impedem a prosperidade dos outros. São pessoas acima da lei, habituadas a comprar sua justiça, disfarçadas sob o manto do trabalho árduo.

Contra elas, o sistema judicial praticamente não tem armas.

No séc. XX experiências de proporções continentais foram empreendidas no sentido de propor um modelo alternativo que impedisse o acúmulo.

Muito embora a base teórica fosse firme, o comunismo que se erigiu passou ao largo desta base. Consistiu na troca de um sistema opressivo do capital por outro, o de estado.

O cidadão comum deixou de culpar acertadamente as  elites por sua pobreza e passou a responsabilizar o estado. Havendo uma amarra sistêmica estabelecida, a prosperidade sequer pôde ser criada, quanto mais acumulada.

A Rússia não se reergueu ainda de sua tentativa comunista, e desconfiamos que ela sequer sabe como fazê-lo. A China ainda tem um desafio continental contra a pobreza.

Ou seja, qualquer que seja o sistema econômico, haverá a geração de opressão, interna e externa.

Mas já nos detemos bastante sobre a questão dos sistemas econômicos, e sua incapacidade de evitar o acúmulo e as distorções sociais. Avancemos.



Escrito por wassergomes às 10h52
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   Da série de 9 textos - Tibet (5)

Viagem muito diferente da empreendida por Che pela América do Sul foi a de Heinrich Herrer, descrita em seu "7 Anos no Tibet". E que no entanto destila conclusões muito parecidas.

Concebida como destino de sua fuga de um campo inglês de prisioneiros na Índia, foi planejada às minúcias, ao estilo de um dos maiores montanhistas europeus de toda a história.

A absoluta escassez de recursos, o frio intenso por 21 meses de viagem por uma das regiões mais altas do planeta, o  improviso diante de autoridades ponteiam toda a aventura, coroada pela receptividade tibetana, que Herrer consideraria depois única no mundo.

Em sua estadia no Tibet, visões de um mundo que em breve seria sepultado para sempre; um deus menino governando um povo, templos com dez mil monges, festividades antiquíssimas, alegria de viver, chamãs empreendendo viagens astrais. Decisões governamentais tomadas por presságios.

Tudo devastado pelo expansionismo chinês. Noventa e sete por cento das construções tem hoje o estilo chinês, estradas ligam a cidade proibida ao mundo, um genocídio de mais de um milhão de tibetanos. Miséria. Opressão da minoria nativa em sua própria terra.

Se não entendemos o que monges tibetanos budistas pacíficos fazem protestando contra a China é porque não vimos as condições que antecederam o atual cenário desolado.

Cheguemos no entanto a algumas conclusões preliminares.

Comparando com o jugo americano, exemplificado nos textos anteriores sobre a Líbia e a América do Sul, e mencionado contextualmente acerca do Iraque e do Vietnã, somos levados a ponderar que não é o capitalismo o que está errado.

A China era comunista então, e mesmo assim liquidou a civilização tibetana.

Não sendo o sistema econômico capitalista necessáriamente o vilão aniquilador de povos, cabe investigar se é a índole dos povos o grande responsável pelos massacres que (não) vemos, e se há povos mais qualificados a exercer liderança sobre outros. Não que isto seja necessário, mas dada a inevitabilidade do fato, façamos estas ponderações. Em próximos textos.



Escrito por wassergomes às 10h51
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