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   O SENTIDO DA VIDA

Depois de 30 anos de pesquisas, os filósofos do wassergomes na net desvendaram o problema do sentido da vida.

E assim como Einstein queria descrever o universo em uma fórmula de 5 cm, nossos filósofos enunciam agora o sentido da vida em três palavras:

O sentido da vida é:

PRESERVAR A VIDA.

Só.

 

A partir daí, tudo se encaixa.

Vamos analisar alguns exemplos:

1 - Toda a competição do mundo se dá por que visamos preservar nossa vida, mesmo que em detrimento das outras;

2 - Todo o ódio humano contra a guerra existe pois ela fere o princípio fundamental da preservação da vida;

3 - Toda a gritaria ecológica é porque a depredação fere a pdv (preservação da vida);

4 - Permanecemos em empregos frustrantes simplesmente porque eles preservam nossa vida;

5 - As religiões prometem saúde nesta vida e eternidade na outra porque seus fundadores queriam a pdv;

6 - Os movimentos pacifistas são tão sublimes pois lutam pela pdv;

7 - Os heróis mais bonitos fizeram o sacrifício máximo de dar suas vidas, se isto significasse a preservação de muitas outras (não estamos falando de soldados);

8 - Só nos sentimos realizados ao preservar a vida da espécie, deixando descendentes.

 

Eu ia divulgar os pensamentos de nossos filósofos sobre "esmola institucionalizada", mas ocorreu esta descoberta bombástica, e decidimos pela sua imediata publicação.

Pois bem, agora que resolvemos todos os problemas metafísicos da humanidade, podemos divagar sobre assuntos mais interessantes.



Escrito por wassergomes às 11h53
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   Epílogo - 9 textos sobre o mundo

Às vezes nos demoramos para concluir nossos projetos, e o resultado é uma visão mais clara do seu contexto.

Enquanto eu me demorava em concluir nossa série sobre reformar o mundo, encontrei o link abaixo, de autoria de Jean-Pierre Lehmann, professor e pesquisador sênior, que se soma à minha voz, engrossando o coro dos que refletem sobre os caminhos que estamos tomando.

 

http://www.valor.com.br/opiniao/2556314/o-planeta-que-queremos?utm_source=newsletter_manha&utm_medium=06032012&utm_term=o+planeta+que+queremos&utm_campaign=informativo&NewsNid=2546424

 

Foi a fagulha que bastou para me incentivar a finalizar a série.

Mas basicamente, examinemos o que é possível fazer para salvar o mundo. Sejamos muito realistas (embora ser realista seja viver à beira do desespero), e adicionemos um pouco de utopia, para direcionar nossos esforços corretamente. Façamos a coisa em forma de lista. Embora toda lista deste tipo seja incompleta, ganhamos com o benefício da organização.

1 - Queremos um mundo menos consumista. Mas não queremos ser menos consumistas. Queremos que o outro seja menos consumista. Reeducar-nos é tarefa dificílima. Mais fácil será então educarmos as próximas gerações, exibindo todos os efeitos abjetos do desperdício, e assumindo os erros de nossa geração.

Existe porém uma consequencia: diminuir o consumismo pode conduzir-nos a uma perda no dinamismo do mercado, ceifando empregos de produção de bens de consumo. Para minimizar isto, é necessário deslocar parte desta mão de obra para outros mercados. Mas quais?

2 - Queremos um mundo mais verde. Isto responde em parte à questão "quais mercados?". Mas o nascimento de um mercado verde só se dará com o nascimento - ou a ressurreição - da cultura verde. Deixemos isto em aberto, por hora.

3 - Queremos um mundo socialmente responsável. Mais uma vez, respondemos à questão "quais mercados". Para redução das desigualdades e promoção da justiça, é necessário um engajamento social profundo por parte de todos, o que criará postos de trabalho. A propósito desta discussão, para exemplificarmos o grau de reforma a que estamos nos referindo, destinar 1% do lucro para entidades sociais não é ser socialmente responsável. É institucionalizar a esmola.

Quando toda a sociedade cobrar uma postura mais autêntica de todos os seus atores, veremos mudanças. E isto só acontecerá criando-se a cultura da responsabilidade social.

4 - A educação pode criar estas culturas, de preservação ambiental e responsabilidade social. Mas precisa ser prioridade de governo e não apenas trampolim de campanha (será uma novidade?).

Como agente complementar de criação de valores (responsabilidade social e preservação ambiental), a religião deve ser valorizada, ganhando mais espaço. A religião autêntica tem o potencial de transformar em paixão e decisões as considerações que a razão endossa, mas por serem sacrificiais demais para serem postas em prática, são proteladas. Uma discussão habitual e mais aprofundada da religião deve contribuir também para a redução das "religiões de oportunidade", as que vem ao encontro da filosofia do poder dominante temporal. Deverá também solidificar os valores de pacifismo e amor ao próximo, o que pode gerar uma desejada aversão à indústria de armamentos.

5 - É necessário abrirmos mão da noção de "crescimento sustentável", da forma como ele é entendido hoje, pois como se sabe, não é possível crescer o consumo de um determinado elemento natural para sempre. Mas é possível crescer o consumo em direções não imaginadas antes. Com a valorização da educação, crescerá a demanda por produtos ligados às artes e à cultura.

 

É necessário reconhecer que esta é uma reforma modesta. Já li muito sobre o fim do capitalismo, a vileza da divisão da humanidade em nações, hinos de amor ao anarquismo. Nada chega a convencer por completo, pois há um componente de maldade intrinseco à experiência humana, e é necessário conviver com ele, coisa que estes remédios parecem esquecer de tratar. Pois a maldade pode ser contida, desincentivada, diminuída, mas não desaparecerá. "O outro" sempre será um mistério e uma ameaça para nós, e sempre nos precaveremos dele com acúmulo, separação, organização do poder.

Mas é necessário começar por algum lugar.

Vamos começar?



Escrito por wassergomes às 12h23
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   Os politicamente corretos - interludio 2

Encaminhamo-nos para "el gran finale" dos textos sobre a solução para o mundo. Enquanto isso, reflitamos sobre a bem-aventurança de sermos politicamente corretos.

Os politicamente corretos
No princípio os fumantes fumavam ao nosso lado nos escritórios. Era incômodo, então os tiramos dos prédios.
Mas vimos que não era bom, então os confinamos a fumódromos.
Vimos que ainda não era bom, então eliminamos os fumódromos, e agora eles fumam lá na rua, fora da fábrica.
Não os vimos mais, então vimos que tudo que fizemos era bom.
Mas o ato criativo deve continuar, então sugiro que os expulsemos da cidade.
Assim poderemos fabricar armas e bombas de forma politicamente correta.
Deus há de sondar nossos corações e ver a pureza de nossas intenções.



Escrito por wassergomes às 07h25
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   Interlúdio

Enquanto não termino minhas considerações sobre a "solução definitiva para o mundo", aproveito para informar:

Está disponível no link abaixo o meu livro sobre teologia aberta e anarquismo cristão, "A linha 106-A".

 

Desfrute ou odeie, comente por aqui!!!

 

https://sites.google.com/site/alinha106a/

É permitido toda a forma de cópia, citação, injúria, para fins filantrópicos ou comerciais, citando ou omitindo o autor. É uma lembrancinha minha para o mundo.



Escrito por wassergomes às 09h35
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   Da série de 9 textos - O q está errado (6)

Há atualmente a meu ver pensadores sérios, gastando tinta demais com o capitalismo. Não que não tenham razão em parte do que dizem.

Sim, estes são tempos difíceis. O neoliberalismo afrouxou as últimas amarras sistêmicas, permitindo acúmulo sem limites. Não é prosperidade; é só acúmulo.

Em razão disso, nunca houve no mundo tantos bilionários, e nunca houve também tantos miseráveis.

Da janela de nossos apartamentos pagos em carnês de vinte anos, nós operários do próspero industrialismo joseense não temos condições de avaliar o desespero de cidades inteiras oprimidas pelo único gerador alternativo de riquezas, as drogas.

Achamos que nossa prosperidade que consiste de uma casa na praia, um apartamento na cidade e um carro seminovo vêm como decorrência de nossa competência e árduo esforço diário apenas.

É claro que tudo isso é pressuposto para a aquisição destes bens, mas estamos distantes demais daquelas mães que devem trabalhar e praticamente abandonar seus pequenos aos cuidados da comunidade, ignorada pelo poder público e refém da bandidagem para que possamos afirmar ao certo que o ingresso na criminalidade se resume a uma questão de caráter.

Sim; é a possibilidade do acúmulo que agrava o quadro social já desesperador. Por que o acúmulo tira recursos das comunidades, do poder público, das famílias e cria o ambiente favorável às distorções, à perda da esperança, da dignidade.

As pessoas que acumulam impedem a prosperidade dos outros. São pessoas acima da lei, habituadas a comprar sua justiça, disfarçadas sob o manto do trabalho árduo.

Contra elas, o sistema judicial praticamente não tem armas.

No séc. XX experiências de proporções continentais foram empreendidas no sentido de propor um modelo alternativo que impedisse o acúmulo.

Muito embora a base teórica fosse firme, o comunismo que se erigiu passou ao largo desta base. Consistiu na troca de um sistema opressivo do capital por outro, o de estado.

O cidadão comum deixou de culpar acertadamente as  elites por sua pobreza e passou a responsabilizar o estado. Havendo uma amarra sistêmica estabelecida, a prosperidade sequer pôde ser criada, quanto mais acumulada.

A Rússia não se reergueu ainda de sua tentativa comunista, e desconfiamos que ela sequer sabe como fazê-lo. A China ainda tem um desafio continental contra a pobreza.

Ou seja, qualquer que seja o sistema econômico, haverá a geração de opressão, interna e externa.

Mas já nos detemos bastante sobre a questão dos sistemas econômicos, e sua incapacidade de evitar o acúmulo e as distorções sociais. Avancemos.



Escrito por wassergomes às 10h52
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   Da série de 9 textos - Tibet (5)

Viagem muito diferente da empreendida por Che pela América do Sul foi a de Heinrich Herrer, descrita em seu "7 Anos no Tibet". E que no entanto destila conclusões muito parecidas.

Concebida como destino de sua fuga de um campo inglês de prisioneiros na Índia, foi planejada às minúcias, ao estilo de um dos maiores montanhistas europeus de toda a história.

A absoluta escassez de recursos, o frio intenso por 21 meses de viagem por uma das regiões mais altas do planeta, o  improviso diante de autoridades ponteiam toda a aventura, coroada pela receptividade tibetana, que Herrer consideraria depois única no mundo.

Em sua estadia no Tibet, visões de um mundo que em breve seria sepultado para sempre; um deus menino governando um povo, templos com dez mil monges, festividades antiquíssimas, alegria de viver, chamãs empreendendo viagens astrais. Decisões governamentais tomadas por presságios.

Tudo devastado pelo expansionismo chinês. Noventa e sete por cento das construções tem hoje o estilo chinês, estradas ligam a cidade proibida ao mundo, um genocídio de mais de um milhão de tibetanos. Miséria. Opressão da minoria nativa em sua própria terra.

Se não entendemos o que monges tibetanos budistas pacíficos fazem protestando contra a China é porque não vimos as condições que antecederam o atual cenário desolado.

Cheguemos no entanto a algumas conclusões preliminares.

Comparando com o jugo americano, exemplificado nos textos anteriores sobre a Líbia e a América do Sul, e mencionado contextualmente acerca do Iraque e do Vietnã, somos levados a ponderar que não é o capitalismo o que está errado.

A China era comunista então, e mesmo assim liquidou a civilização tibetana.

Não sendo o sistema econômico capitalista necessáriamente o vilão aniquilador de povos, cabe investigar se é a índole dos povos o grande responsável pelos massacres que (não) vemos, e se há povos mais qualificados a exercer liderança sobre outros. Não que isto seja necessário, mas dada a inevitabilidade do fato, façamos estas ponderações. Em próximos textos.



Escrito por wassergomes às 10h51
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   Da série de 9 textos - América do Sul (4)

Ainda dentro do contexto de povos viciados em insumos e energias baratas, que sabotam por diversos meios a soberania e o livre arbítrio de outros povos, é necessário avaliarmos em que contexto o Brasil (e num espectro mais amplo a América do Sul) está inserida.

Constatar que ela está efetivamente mergulhada em uma espiral crescente de pobreza não é difícil; basta abandonarmos por alguns dias, semanas ou meses nossas cidades centrais, nossos bairros orgulhosos, nossas quitandinhas e empreendermos uma viagem que evite o eixo central da economia, como nas rodovias que ligam Rio a São Paulo.

Como a viagem que empreendeu Ernesto Che Guevara, documentada em seu "de moto pela américa do sul".

Neste livro, uma presença de espírito suave e bem-humorada dá o tom da viagem, transformando o livro em uma deliciosa leitura. A total falta de planejamento fica clara a todo instante, com quedas constantes, fome constante, falta de dinheiro, dependência da bondade alheia, marcante em toda a América do sul dos anos 50. Uma viagem como qualquer adolescente empreenderia.

O que dá o contraponto é a maturidade intelectual de Che, percebida por suas observações dos povos que habitam as regiões mais pobres do continente e as causas desta pobreza.

Ilustrativa é sua visita às minas de cobre do Chile, onde qualquer um sem documentos é aceito para trabalhar, evidenciando a natureza insalubre e perversa do trabalho que ninguém quer.

Em Cuzco, ele observaria a propósito das igrejas espanholas erigidas sobre os escombros dos templos incas, que "o deus triste de uma civilização alegre tomaria o lugar do deus alegre de uma civilização triste".

É nestas e em outras entrelinhas que percebemos o nascer de um pensador, e por fim um revolucionário, que do alto de seus 22 anos sonhava em construir uma carreira de enfermeiro em colônias de leprosos, mas já ouvia o chamado das armas, que silenciariam sua voz para sempre 14 anos depois.

Mas estou me desviando.

Por hora, basta pontuarmos o padrão comum de exploração de recursos com que os países ricos do primeiro mundo constróem sua riqueza e a pobreza dos outros.

No próximo texto, passearemos por uma das regiões mais inóspitas do globo, o Himalaia, à guisa de exemplo final de nosso tema para por fim pontuarmos nossas conclusões sociais, morais e espirituais das desigualdades entre os homens.



Escrito por wassergomes às 09h33
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   A PRIMAVERA ÁRABE I

Agora, todas as pessoas que se preocupam com seus semelhantes - não importa quão longe morem ou quão diferente sejam suas culturas  - desejam saber se a Líbia corre o risco de se transformar num novo Iraque, ou se convergirá pacificamente para uma democracia, como deveria ser uma "primavera árabe".

Para prevermos de que modo a comunidade internacional lidará com a Líbia pós-Kadafi precisamos olhar para a política norteamericana para o Oriente Médio, visto que aquele país é o que dispõe de maior capacidade de intervenção, e histórico de uso efetivo de aparato militar nesta região.

Lembremos casos recentes. A queda de Saddam Hussein (sob o contexto das acusações de deter ou construir armas de destruição em massa, coisa que futuramente não viria a se verificar) gerou um vazio de poder, que imediatamente precipitou o país numa sangrenta guerra civil, claramente agravada pela iniciativa de se estabelecer no país uma coalisão militar liderada pelos EUA.

A preocupação com a existência de armas de destruição em massa é na verdade mero jogo de cena; a CIA tem meios suficientes para determinar se determinado país abriga armas antes de qualquer intervenção mesmo por que os processos para construção destas armas são tão controlados que é virtualmente impossível qualquer movimento de importação destes insumos.

Além disso, é estupidez atacar países com capacidade de resposta.

O que acontece na verdade é uma necessidade de garantir fornecimento contínuo de energia. Recentemente George Bush declarou que os EUA tinham um vício por petróleo. Obter energia barata é condição indispensável em uma sociedade industrial.

Além do mais, com uma Europa pós segunda guerra em severas limitações, os EUA começariam a experimentar uma perda de dinamismo em sua economia. A solução adotada por praticamente todos os chefes de estado norteamericanos desde então foi uma edição militarizada de um keynesianismo crônico, ou seja: para o estado aumentar a procura efetiva e dinamizar a atividade econômica, deve gastar mais do que arrecada, porque a arrecadação de impostos reduz a procura efetiva, enquanto que os gastos aumentam a procura efetiva. Os caminhos clássicos para o aumento de gastos são a obsolescência programada, o desperdício e a militarização.

É por isso que não vemos os EUA liderarem a corrida por fontes de energia alternativas; com a independência do petróleo, deixa de existir a necessidade de intervir militarmente em regiões produtoras. Isto solaparia seu método de manter a economia interna rodando via "desperdícios militares", que como se viu, complementam a demanda.

Foi o que se viu claramente no caso do Iraque II, e com o término do escopo desta guerra (a população civil perdeu milhões de indivíduos, o país foi condenado a ser um estado cliente fornecedor de petróleo barato) é de se prever que os EUA procurem por novas "oportunidades de potencialização econômica". Os candidatos naturais são países incapazes de reação, desalinhados politicamente, detentores de insumos estratégicos e cujas populações são passíveis de mistificação - só há beduínos, terroristas, extremistas religiosos .Pessoas com quem não devemos nos importar.

O que pode salvar a Líbia é a manutenção da política atual de permitir que conglomerados norteamericanos explorem seu petróleo a preços irrisórios, sem nenhuma contrapartida à população líbia.

Um crime a questão dos direitos da população civil líbia sequer figurar neste debate.



Escrito por wassergomes às 12h48
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   A PRIMAVERA ÁRABE

No esteio dos últimos acontecimentos políticos e sociais do Oriente Médio, divaguemos um pouco sobre a "primavera árabe", na figura do ditador Kadafi.

Pessoas como eu, de 1970 para cá têm geralmente uma idéia vaga sobre o papel desempenhado por Kadafi no cenário mundial. Seu início político é tremendamente influenciado por Gamal Abdel Nasser, líder nacionalista egípcio e árabe. No entanto, usar somente isto para explicar por que Kadafi:

            - nacionalizou a indústria do petróleo;

            - apoiou diversos movimentos guerrilheiros árabes no Terceiro Mundo;

            - patrocinou e apoiou todos os grupos, países e facções anti-americanas ou antiisraelenses de que tinha conhecimento, entre eles os Panteras Negras, o Fatah e alguns países do Oriente Médio;

            - exigiu e obteve a retirada americana e inglesa de bases militares;

            - retirou da Líbia todos os americanos vindos através da aliança entre Idris I e os EUA;

            - expulsou as comunidades judaicas;

            - fechou danceterias, bordéis e bares instalados pelos americanos; e

            - proibiu a exportação de petróleo para os EUA -

 

é evidentemente simplificar demais as coisas, e usar artifício que cobre parte da verdade; afinal, em 1969 grandes quantidades de petróleo líbio estavam sendo utilizadas pelos Estados Unidos, sem qualquer compensação à Líbia.

De estado fantoche, a Líbia passou a representar sob Kadafi um irritante opositor às pretensões americanas de adquirir energia barata sem restrições no Oriente Médio. Sua política aberta de oposição, inclusive via terror gerou na década de 80 a proibição norteamericana de importação de petróleo da Líbia. Em 1986, após um atentado a bomba numa discoteca de Berlim, quando morreram dois cidadãos norte-americanos, os EUA lançaram ataques aéreos contra em Trípoli e Benghazi e impuseram sanções econômicas contra o país. No final da década de 1980 o governo líbio foi acusado de envolvimento nos atentados contra aviões da Pan Am e da UTA, o que motivou a imposição de sérias sanções também pela ONU, em março de 1992.

Então por quê em maio de 2006 a Líbia saiu da lista negra de embargos econômicos dos Estados Unidos?

Teria o tirano realizado peregrinações públicas à Meca, tornado-se cristão ou pedido perdão público pelas atrocidades do passado? Teria passado a acreditar na democracia, e se mostrado disposto a conduzir uma transição política? Eleições diretas?

Na verdade, a explicação é outra.

Na década de 90, o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou ter desmantelado o arsenal nuclear líbio. Mais?

Em 2003 Gadafi anunciou que desistira das armas de destruição em massa e que pretendia juntar-se à guerra ao terror, eixo da política externa americana durante o governo Bush.

Com demonstração tão linda de arrependimento interior, faltava ainda um gesto contrição.

Kadafi concedeu então que os produtores de petróleo dos EUA e da Grã-Bretanha expandissem suas atividades no país. Empresas como BP, Exxon, Halliburton, Chevron, Conoco e Marathon Oil juntaram-se a gigantes da indústria bélica, como Raytheon e Northrop Grumman, e a multinacionais como Dow Chemical e Fluor bem como à poderosa firma de advocacia White & Case para formar a US-Libia Business Association, em 2005.

Esta mudança de postura, esta guinada radical que fornecia à América exatamente o que ela queria (energia barata) é que vem explicar suficientemente a tolerância recente do governo norte americano ao ditador. Até este ano (2011), tínhamos meia década de silêncio e cordial cooperação...

Na verdade, pouco importava de fato o passado mais que criminoso do sujeito. Importava obter dele a propiciação de um ambiente de negócios favorável ao império do capital.

Então o que selou o destino do ditador?

Em meu ver, Kadafi parece ter selado seu destino ao decidir reprimir sem misericórdia com aviões militares a população civil que clamava por direitos. Em um mundo de notícias em tempo real e celulares com câmera, a engenharia do consenso parece não ter tido tempo para costurar os costumeiros pretextos que serviriam de sustentação internacional àquele que tinha um passado mais que questionável de desserviços à América, mas que recentemente havia se alinhado.

Em sua soberba de ditador, Kadafi cometeu o vacilo fatal: agiu movido pelo ímpeto.

Morreu suplicando por misericórdia, coisa que ele próprio foi incapaz de oferecer aos seus opositores.

Na primavera árabe, só vejo os espinhos das flores pela frente.

No próximo texto, veremos porque devemos temer um banho de sangue na Líbia, a exemplo do recentemente ocorrido no Iraque.



Escrito por wassergomes às 12h15
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A série de nove textos que iniciamos hoje tem um início suave, quase plácido:

Minhas observações ao "Cem sonetos de amor", de Pablo Neruda.

Na dedicatória a Matilde ele diria: "... os poetas de todo tempo alinharam rimas que soaram como prataria cristal ou canhonaço. Eu, com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira... e assim devem alcançar teus ouvidos."

É com raízes, lodo, espuma, musgo e referências a lugares e paisagens chilenos que ele vem cantar sua amada Matilde.

Engana-se contudo quem pensa que suas poesias são só contemplação; neles estão registrados os agudos momentos da vida de Pablo, incluindo aí seu exílio.

Por ter sido escrito em 59 e possuir direitos, vou me abster de reproduzir sonetos ou mesmo trechos destes.

Esta omissão é a "deixa" para nos afastarmos em silencioso retiro, para preparar nossos espíritos para textos mais engajados, mais críticos e, por mais livres que a maioria permite, mais ofensivos ao costumeiro recato político e religioso. Como eu já disse, este blog é algumas vezes contra-indicado para estômagos e consciências sensíveis.

Por isso mesmo, desejo que a poesia acompanhe nossas vidas, ou ainda: que nossa vida seja a poesia que outra geração cantará.



Escrito por wassergomes às 16h05
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   promessas, promessas

os leitores, assíduos ou ocasionais que aqui repousam seus olhos em busca de repouso ou tormentas se alegrarão ao saber que encontra-se no forno de minha mente o trigo para nove textos, tão sortidos como Pablo Neruda e a primavera árabe, passando pelo chamanismo e o Brabo.

Sugiro apenas que recolham-se em reflexão e aquietação do espírito, pois falta-me o instrumento (um tablet) para por estes pães na prateleira.

Esperarei a opinião de vocês com a mesma avidez que voces devoram (ou refutam) minhas reflexões, tendo-as por sábias ou loucas.

 

Meus abraços.



Escrito por wassergomes às 08h04
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   rumo a uma nova guerra fria

Das centenas de parágrafos relevantes e devidamente por mim sublinhados no livro "Rumo a uma nova guerra fria", de Noam Chomski, um se faz particularmente curioso, mesmo por causa do memorial de 10 anos do 11 de setembro. Trata-se de peça de um formulador de políticas internacionais norte-americano. Segue - os parêntesis são meus:

 

"Na New Republic, J.B.Kelly escrevia (em 1974) que, "com suas hesitações e sua tendência para se auto-iludir (quanto ao momento de uma intervenção militar) ao longo da última década, os países ocidentais ficaram sem outra alternativa senão projetar seu poderio militar na região do Golfo Pérsico." Isto pode levar a "um surto de fanatismo muçulmano contra o Ocidente", observa Kelly, mas "já é difícil dizer se daí derivará algo mais que uma dessas costumeiras enxurradas de impropérios e o habitual festival de fanfarronadas"."

 

Após a leitura de Chomski, aprendemos a interpretar com lucidez uma peça de crítica como esta. Ressalto somente alguns fatos facilmente perceptíveis:

 

- "auto-iludir": expressão típica para descaracterizar movimentos e posições pacifistas internos;

- "países ocidentais", "contra o Ocidente": eufemismo para compartilhar a responsabilidade principal da América do Norte;

- "sem outra alternativa": eufemismo para "o governo nunca cogitou outra solução";

- "projetar seu poderio militar": eufemismo para agressão de estado;

- "surto de fanatismo": expressão de tal cinismo que dispensa comentários; responder a agressão à altura é "ato de fanatismo";

- "festival de fanfarronadas": expressão que denota que o governo considera o inimigo incapaz de defender-se, além de caracterizar qualquer reação contrária à agressão como ridícula, desproposital, ódio gratuito à América, etc.



Escrito por wassergomes às 16h38
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   Carregando o elefante

Acabei de ler a introdução do "Carregando o elefante". Trata-se de badalada publicação que tá circulando free na net, e fico me pensando em que mundo os autores moram. Desisti de continuar lendo. A transcrição abaixo basta pra se entender porque.

Como é divulgação free, não tenho receio de infringir leis de citação e propriedade intelectual.

 

"A troca só existe se for boa para ambas as partes porque, do contrário, um lado se recusará a trocar. Uma característica intrínseca da troca legítima é que duas pessoas sempre saem dela mais satisfeitas do que entraram. A troca é fundamentada em valor, não em lamentos. Ela é fundamentada em respeito, não em intimidação. As únicas limitações à troca são práticas. Se você quer trocar pão pelo peixe de seu vizinho, não haverá problemas. No entanto, se você quiser trocar computadores avançados alemães por serviços de telefonia do Vietnã, isso não será nada fácil de trocar...

O que seria o dinheiro, nesse contexto? De que vale um punhado de papel velho, cortado em tiras e escrito na frente e no verso? Concretamente o dinheiro não vale nada. Quanto vale uma pilha de jornais usados? Nada. O mesmo ocorreria com o dinheiro. Ele não pode ser comido, nem bebido, nem satisfaz qualquer outra necessidade humana.

O dinheiro só tem valor por intermédio da confiança que se deposita nele. Em uma nação com confiança, as pessoas acreditam que pessoas produtivas aceitarão o seu dinheiro e entregarão em troca dele o melhor de seu trabalho e inteligência. O dinheiro é um direito que se obtém, por meio da criação de valor, sobre o valor dos outros. O dinheiro só tem valor quando pessoas produtivas dão a ele significado e endosso. O dinheiro é a forma de viabilizarem-se trocas.

Em uma nação com confiança, todos sabem o valor do dinheiro e o respeitam. O dinheiro vale exatamente o mesmo que a produção de bens reais sobre a qual o dinheiro se apóia. As pessoas sabem disso e o governo sabe disso. Sabem que não podem gastar mais do que arrecadam, pois estarão apenas gerando inflação e destruindo o valor do dinheiro.

Se a primeira forma de se obter bens é a troca, a segunda forma é a violência. Só se pode receber algo de alguém ou pela troca ou pela extorsão. Não existe nenhum outro meio. Usando-se violência, pode-se saquear em um minuto a riqueza acumulada durante toda uma vida. Às vezes a violência é praticada pelo bandido da esquina, às vezes por quadrilhas organizadas e às vezes pelo Estado, tomando bens que não lhe pertencem para suprir suas necessidades infinitas. Ao longo da história humana, a violência sempre foi a forma mais comum de se obter bens. Conquistadores, reis, imperadores e outros utilizaram-se da violência para se apropriar da riqueza de quem estava inventando e trabalhando. No entanto, a violência só consegue tomar, nunca consegue produzir. Nenhuma violência no mundo, aplicada sobre milhares de pessoas ignorantes, seria capaz de fazê-los produzir um simples pedaço de pão caso não saibam fazê-lo. Mais recentemente, ao caminhar na direção da democracia liberal, a humanidade finalmente passou a dar à troca seu devido valor e criou modelos de nação em que as pessoas se submetem à lei e os direitos individuais estão no topo das prioridades. Pela primeira vez, em alguns países, o incentivo maior às pessoas foi para a criação e para a troca, não para a conquista violenta da riqueza alheia. O resultado foi uma criação de riqueza sem precedentes na história humana. A enorme riqueza que o nosso mundo moderno gerou, essa riqueza que, nos países desenvolvidos, praticamente eliminou a mortalidade infantil, permitiu às pessoas viverem quase um século e fez com que as famílias tivessem fartura digna de realeza, só foi possível em virtude da troca e de seu mensageiro, o dinheiro.

Este livro é dedicado ao dinheiro, símbolo da criatividade humana. Símbolo da vontade de homens e mulheres de melhorar de vida. A criação humana mais sublime e, ao mesmo tempo, mais demonizada."



Escrito por wassergomes às 11h36
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   20 semanas

20 semanas sem refrigerante.

O desafio agora é diminuir as sobremesas...



Escrito por wassergomes às 11h33
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   Escala de medição da nobreza dos filósofos

Escala de medição da nobreza dos filósofos

 

Observação: é necessário recordar-se de que a nobreza é inversamente proporcional ao reconhecimento financeiro. Salvo no post-mortem.

 

Do menos nobre para o mais nobre:

 

1 - O filósofo que diz o que o mercado quer que ele diga: o alinhado. Com um pouquinho de talento, pode ficar riquíssimo.

2 - O filósofo que diz o que já disseram: o citador. Chega a professor universitário, e dá entrevistas no roda viva.

3 - O filósofo que dá um colorido particular ao que já disseram: o usurpador. Escreve livros e aparece no caderno cultural, e nos simpósios.

4 - O filósofo que se arvora a questionar o que disseram: o estrelinha. No primeiro deslize, será rotulado como PSTU e será aniquilado.

5 - O filósofo que cria algo original: o metido a Deus. Já nasce ridículo e fracassado.



Escrito por wassergomes às 10h49
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